Coisas que aprendi na minha curta “carreira profissional”

Coisas que aprendi na minha curta “carreira profissional”

Escrevi este texto no meu blog pessoal, o kircove.me, mas como achei que ele tinha tudo a ver com a Bizstart, resolvi compartilhar aqui também. Portanto, perdoem o vocabulário pouco elegante usado em alguns momentos :)

São alguns aprendizados de uma jovem carreira profissional, trabalhando e empreendendo.

Uma coisa que não expliquei no post original: por que “carreira” está entre aspas? Porque eu acredito ser uma palavra velha, que não representa minha experiência de trabalho – e a de muitos outros também. Por muitos anos, “construir uma carreira” significou ter solidez em uma empresa, alcançar algum sucesso e se aposentar com tranquilidade. Hoje, uma vida de trabalho dificilmente é linear e entediante assim. Desta forma, sou do time que prefere construir valor a construir uma carreira.

Carreira é uma palavra babaca. Mas aqui vão algumas coisas que aprendi na minha (pouca) experiência de trabalho.

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Você pode ir longe com qualidade na entrega, mas isso nunca será suficiente.

Entregar o que lhe foi demandado com excelência é ótimo. Você vai agradar e impressionar as pessoas e, de maneira geral, irá fazer um bom trabalho. Mas vai acabar descobrindo que isso é apenas um detalhe – apenas o primeiro passo. Não raro, alguém com rigidez, disciplina e resultados satisfatórios será de mais valor que você. Isso vai te deixar puto – até você perceber que, sim, essa pessoa tem mais valor que você em muitas ocasiões.

Esqueça o dinheiro enquanto você pode.

Escolher um estágio meio mais ou menos por causa de R$200 a mais será a decisão mais idiota que você pode tomar quando está começando a trabalhar.

Enfie o pé na porta. Sempre.

Critique toda a estrutura organizacional da empresa no seu primeiro dia de trabalho, se quiser. Todas as vezes que eu deixei de enfiar o pé na porta numa discussão por receio, ou qualquer outro sentimento, eu me arrependi. Se alguém te julgar por isso (a velha máxima de chegar sentando na janela do ônibus), não se preocupe. Esta não é uma pessoa com a qual vale a pena trabalhar junto.

Repense o item anterior – ficar quieto é OK.

Falar só por falar pra mostrar serviço é péssimo e causa o efeito contrário. Se você não tem nada de realmente interessante pra dizer, não diga nada. Pare, volte, analise a situação direito e se exponha quando você tiver algo que agregue valor à situação. Não tenha medo de parecer omisso. Antes a omissão do que fazer todo mundo perder tempo.

Absorva suas qualidades e as coloque em seu lugar.

Em todas as minhas experiências de trabalho, fui elogiado por escrever bem. Sempre tive dificuldade em reter elogios, mas com o tempo aprendi a aceitar isso e usar a meu favor. Também com o tempo, descobri que isso significa que eu sou capaz de escrever emails muito bem – nada muito além disso. Ser reconhecido é ótimo para o ego, mas seu trabalho é se dar conta de como aquilo fará de você uma pessoa melhor.

No final do dia, trabalhar é lidar com pessoas – e essa é sua função principal.

Quando eu comecei a gerenciar pessoas na Empresa Júnior da PUC, levei porrada de todos os lados. Depois de um tempo sendo bem visto por causa da tal “qualidade na entrega”, eu pude parar e pensar: Nossa, eu sou péssimo nisso. De longe, foi a melhor coisa que me aconteceu. Foi o responsável por alavancar minha curva de crescimento e concluir: foda-se o resto, se você não é bom com as pessoas, você não é bom. Sua função primordial é sempre ajudar as pessoas a fazer o melhor trabalho possível. Isso independe se você é estagiário, analista, gerente, diretor ou CEO.

Trabalhe em uma empresa pequena.

Exibir seu crachá de estagiário da Coca-Cola pra sua vó é lindo. Até você descobrir a maravilha que é fazer a diferença numa empresa de 5 funcionários. Eu entendo quem quer fazer carreira em multinacional. Não é a minha praia, mas eu entendo. Mesmo assim, busque oportunidade de trabalhar em um peixe (ainda) pequeno. Vai te fazer crescer na marra. Como dizia um professor: é melhor ser cabeça de sardinha do que bunda de baleia.

Despreze a maioria dos processos seletivos.

OK, eu não sou da misteriosa área de RH e não entendo nada disso. Mesmo assim, ninguém nunca me convenceu de que dinâmicas de grupo não são uma perda de tempo pra todo mundo.

Ignore o Max Gehringer (e eu também).

Vá lá, pautar sua vida profissional em post de blog é uma puta duma perda de tempo pra você.

Por fim

Tente superar o migué e:

O mundo não tem tempo pra quem não tá a fim de gerar valor.

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