Como Criar uma Startup – Aula 1

Como Criar uma Startup – Aula 1

Revisão do Curso: How to Start a Startup

Este é segundo post da série Como Criar uma Startup, onde revisamos as aulas do curso How to Start a Startup, da Y Combinator em Stanford. O primeiro post da série tem algumas definições importantes para o melhor aproveitamento do conteúdo, sugiro fortemente a leitura.

 

Nesta primeira aula Sam Alden, presidente da aceleradora Y Combinator, inicia fazendo uma rápida apresentação do curso e introduzindo as 4 áreas para o sucesso de startups:

  1. Ideia
  2. Produto
  3. Time
  4. Execução

Antes de entrar na primeira área vale o conselho: Criar uma startup é muito mais difícil do que parece. Você precisa de paixão por resolver um determinado problema. Sem esta motivação é melhor nem começar. Há formas mais fáceis de ficar rico.

Agora veremos as 4 áreas para o sucesso de startups em mais detalhes.

 

1. Ideia

A ideia é mais importante do que o senso comum diz

Afinal, a melhor execução de uma má ideia não leva a lugar nenhum. E mudanças de direção do negócio, o famoso pivot, são aceitáveis, mas geralmente são sinal de um negócio que não será tão grande.

Você passará 10 anos trabalhando neste negócio, então é melhor escolher bem.

Pode parecer contra-intuitivo, mas planeje: por mais irrelevante que o resultado seja (geralmente a realidade será diferente do planejado), o exercício de planejar é muito importante. A grande maioria das startups não planejam na sua fase inicial.

A ideia está muito ligada à missão da empresa; esta, por sua vez, é muito importante pois viabiliza foco e energia da equipe durante o trabalho duro de desenvolvimento da startup.

“Primeiro a ideia, depois a Startup.”

Sam Altman

 

Componentes de uma boa ideia

Além dos componentes óbvios (cliente, problema e produto), uma boa ideia é composta de outros ingredientes importantes:

  • Novidade: geralmente clones de produtos existentes com pequenas mudanças fracassam.
  • Mercado, tamanho e crescimento: é melhor escolher um mercado pequeno com grande crescimento do que um mercado grande com pouco crescimento.
  • Pode se transformar em um negócio que seja difícil de ser replicado.
  • Estratégia de crescimento.
  • Estratégia de defesa.
  • Fácil de explicar: se precisar mais do que uma frase para explicar o que você faz, é um sinal de que a proposta é muito complicada.

 

Como escolher uma boa ideia

Se você tiver várias ideias, como escolher qual é a melhor?

Primeiro compare-as com base nos componentes citados anteriormente, isso deve dar um bom direcionamento sobre qual delas é a melhor.

Mas também identifique qual delas você passa a maior parte do tempo pensando, especialmente quando está tentando não pensar em trabalho. Isso é uma ótima pista para identificar aquela que você está mais motivado a desenvolver.

Esta análise da motivação é importante pois você precisará de resiliência para lidar com as dificuldades e convicção para ignorar as opiniões negativas. Voltamos a questão da paixão, que alimenta a missão. Ambas são combustível para você e a sua equipe terem foco e energia para o trabalho duro que tem pela frente.

Ao analisar o mercado, avalie a possibilidade de você conseguir um monopólio em um pequeno mercado e que possa expandir rapidamente depois. Mas tenha cuidado com o mercado que não quer existir: isto é resolvido com validação de problema e cliente.

Outra pergunta que você deve fazer: Por que agora? Por que não foi feito há dois anos atrás e por que esperar mais dois anos será tarde demais?

 

O problema que você resolve é seu?

Geralmente é melhor construir algo que você mesmo precisa, pois entenderá melhor do que se tiver que falar com alguém para construir a primeira versão do produto.

Mas, se você não tem o problema que você quer resolver, esteja ciente que você está em desvantagem e fique constantemente perto do seu cliente. Fale com ele várias vezes ao dia, se possível trabalhando no mesmo escritório. Sinta a dor dele.

 

2. Produto

Como o Sam Altman cita, “Para construir uma grande empresa você deve primeiro transformar uma grande ideia em um grande produto”. Esta é a atividade mais importante que um empreendedor tem, e deve ser o seu foco até que você tenha construído um grande produto.

Nesta primeira fase do negócio, toda a sua energia deve estar orientada para o seu cliente e o seu produto.

“Antes de ter um grande produto, nada mais importa.”

Sam Altman

Importante citar que a definição de produto aqui é bastante ampla: ela inclui suporte ao usuário, o texto comercial descritivo do produto e tudo o que envolve a interação do seu cliente com o que você construiu para ele.

Na Y Combinator eles instruem os empreendedores a desenvolver o produto, falar com os clientes, fazer exercício, comer e dormir. Todo o resto, como eventos, parcerias, relações públicas e afins devem ser ignorados até que você tenha um grande produto. Depois disso, tudo isso ficará mais fácil.

E o que é um grande produto? É algo que os usuários amam. Não somente gostam, curtem, “nice to have” (bom de ter), mas que realmente amam, no sentido mais forte da palavra.

 

É melhor construir algo que poucas pessoas amam do que algo que muitas pessoas simplesmente gostam.

 

Gráfico de amor versus usuários

Geralmente construir algo que muitos usuários amam não é algo que uma startup vai fazer no começo, e geralmente os gigantes como Google e Facebook já teriam feito.

Este é um dos principais pontos desta aula, por isso vou explicar novamente:

É mais fácil crescer a quantidade de usuários em uma startup que as pessoas amam do que crescer a quantidade de amor dos usuários de uma startup com uma base de usuários grande.

Isso porque:

  • fazer algo que as pessoas amam é difícil;
  • o crescimento viral de algo que as pessoas amam é facilitado pelo boca-a-boca.

O resultado disso é que, se você acertar isso, pode errar muitas outras coisas. Agora, se você não acertar isso, você pode fazer todo o resto corretamente e ainda assim falhar.

Muito poucas startups morrem de competição. A maioria fecha porque eles mesmos falham em fazer algo que os usuários amam, acabam perdendo tempo com outras coisas.

Quando você começar a sua startup esta é a única coisa que você precisa se preocupar até que esteja funcionando.

E a dica para ajudar a criar algo que os usuários amam é buscar a simplicidade. Isto permite que você foque em fazer uma coisa extremamente bem, que é importante para fazer algo que as pessoas amam.

Transforme o amor em feedback: construa um motor que transforma o feedback dos usuários em decisões para o desenvolvimento do produto.

Recrute os primeiros usuários manualmente. Ben Silbermann, criador do Pinterest, costumava visitar as lojas da Apple e configurar os navegadores para abrir a página do Pinterest, antes que o pegassem fazendo isso. Quando as pessoas usavam o computador ficavam curiosas pra saber o que era aquilo.

* Dica de leitura: Do things that Don’t Scale by Paul Graham

Não coloque pessoas entre você e os seus clientes. Faça vendas e suporte ao usuário você mesmo no início do negócio. Um dos problemas das startups em Stanford é que os fundadores tentam contratar pessoas para fazer as vendas e suporte aos usuários no início da operação. Faça você mesmo.

E, por último, utilize métricas e seja brutalmente honesto com elas.

“As empresas constroem o que o CEO mede.”

Sam Altman

Preocupe-se com métricas que significam crescimento e que te ajudarão a acompanhar a evolução do seu negócio tomar decisões estratégicas. Métricas como crescimento de usuários ativos, níveis de atividade, faturamento, taxa de retenção de usuários, etc.

Quer aprender a trabalhar com métricas? Temos um curso para você na Academia Bizstart.

 

Por que Criar uma Startup

Dustin Moskovitz, cofundador do Facebook e do Asana foi convidado a falar do porque criar uma startup.

As 4 razões mais comuns para criar uma startup são essas:

  1. É glamoroso
  2. Quero ser o chefe
  3. Quero ter mais flexibilidade
  4. Quero ter mais grana e gerar mais impacto

E, na verdade, criar uma startup é assim:

1. É glamoroso

Na realidade empreender tem muito mais de trabalho duro do que glamour. Você basicamente passa a maior parte do seu tempo de cabeça baixa, focado, respondendo suporte ao cliente, fazendo vendas, desenvolvendo o produto. Fora os problemas que vão requerer a sua atenção quando você menos esperar.

Há também muito stress, principalmente ligado a responsabilidade com relação a sua equipe, quando o seu negócio já estiver um pouco maior. Você também estará sempre à disposição para resolver problemas, e as dificuldades de faturamento e fluxo de caixa não ajudarão em nada nesse ponto.

Também estressante é o comprometimento dos fundadores: se você é o colaborador de uma empresa e as coisas não estão bem e você não está feliz, pode simplesmente sair e buscar outra atividade. Mas, se você é o fundador, sair pode deixar uma cicatriz para o resto da sua carreira, sem contar que pode ser bem desagradável para a sua equipe.

2. Quero ser o chefe

Como disse Phil Libin, CEO do Evernote:

Algumas pessoas tem esta visão de ser o CEO de uma empresa que eles criaram e estar no topo da pirâmide… Na verdade, todos são seus chefes – sua equipe, clientes, parceiros, usuários, mídia e sócios são seus chefes. Eu nunca tive tantos chefes e tive que responder para tanta gente… Se você quer exercer poder e autoridade sobre as pessoas, entre para o exército ou para a política. Não seja um empreendedor.

Phil Libin

Ser o chefe também significa lidar com os problemas do dia-a-dia, que outras pessoas levam ao CEO. “Pessoas querem seguir diferentes direções, clientes querem coisas diferentes… no final é um jogo para ver quem eu desaponto menos…” – Dustin Moskovitz.

3. Quero ter mais flexibilidade

Novamente vamos ver o que o Phil Libin tem a dizer sobre flexibilidade de horário para o empreendedor:

Se você for um empreendedor, você terá alguma flexibilidade, realmente. Você poderá trabalhar qualquer 24 horas do dia que você quiser!

Phil Libin

Você estará sempre à disposição. Por mais que não esteja trabalhando todas as horas, se um problema surgir você sempre será o responsável pela solução, em última instância.

E você é o modelo para a empresa. Se você é um colaborador, você pode ter algumas semanas boas e outras ruins. Mas isso é ruim se você for o empreendedor. O seu time irá refletir o que você trouxer para a empresa: “se você tirar o pé do acelerador, eles também o farão” – Dustin.

4. Quero ter mais grana e gerar mais impacto

Muitos aspirantes a empreendedor dizem que querem ter a própria empresa para ter uma “fatia maior do bolo”, ou para gerar mais impacto. Vejamos a tabela que o Dustin apresentou:

Tabela de retorno financeiro

Nesta situação hipotética, o colaborador número 100 do Dropbox teve o mesmo resultado do que o fundador que manteve 10% da sua startup de $100 milhões (rodadas de investimento consumiram a sua participação). O mesmo vale para o caso do Facebook.

* Observação: vale lembrar que este argumento considera a realidade do Vale do Silício e boa parte das startups nos Estados Unidos: os empregados ganham ações por ficar um determinado período de tempo trabalhando na empresa. No Brasil, se você for trabalhar para uma Startup SA, que é raro de existir, for um excelente profissional e estiver disposto a trabalhar por um salário menor que o do mercado, é bem possível conseguir negociar uma participação nas ações da empresa.

O impacto de trabalhar para uma startup grande pode ser muito maior do que tomar todas as decisões em uma empresa média. Alguns cases para ilustrar:

  • Bret Taylor entrou no Google como colaborador número 1.500 (aproximadamente) e criou o Google Maps.
  • Justin Rosenstein juntou-se ao Google um pouco depois e desenvolveu um projeto paralelo de chat dentro do Gmail, que acabou virando o Google Hangouts.
  • O mesmo Justin entrou no Facebook como colaborador 250 e liderou um hackaton para criar o botão de curtir, um dos elementos mais populares da internet atualmente.

Ao trabalhar para uma startup em rápido crescimento, você pode ter acesso a uma base de usuários grande, a uma infraestrutura diferenciada e/ou a uma equipe única. Estas condições podem permitir que você tenha um impacto muito maior do que criar uma startup pequena.

 

Então…

Qual é a melhor razão para criar uma startup?

 

Você não consegue não fazê-la. Você é apaixonado pela ideia, você é a pessoa certa para fazer isso.

Dustin conta de como começaram o Asana. Ele e seu sócio, Justin Rosenstein, faziam parte da equipe do Facebook e estavam trabalhando em um problema muito interessante. Nos seus tempos livres eles começaram a desenvolver um gerenciador de tarefas para a equipe. Eles viam tanto valor naquilo, como estavam ajudando a empresa, que eles precisavam fazer este sistema.

Em algum momento eles pararam e se perguntaram: “o que acontece se nós não criarmos esta empresa?”. Viram o resultado que trazia para o Facebook, estavam convencidos que tinha valor para o mundo. Também viram que ninguém estava fazendo aquilo, que as soluções neste mercado eram sempre incrementais.

Ele resume dizendo que a ideia estava querendo sair de dentro deles, forçando o seu caminho para o mundo. Este é o sentimento que você deve procurar ao iniciar uma empresa, é assim que você sabe que tem a ideia certa.

 

Finalizando

Com isto terminamos a revisão da primeira aula do curso. Nos próximos dias disponibilizaremos a revisão da segunda aula: “Times e Execução”.

Como está indo o seu registro de oportunidades de negócio? Na próxima semana revisaremos a aula do Paul Graham sobre ideias e a fase que precede a startup.

 

Atualização:

Continue lendo a revisão da segunda aula aqui.

 

Materiais adicionais

Do things that Don’t Scale by Paul Graham

Advice for Ambitious 19 year olds article by Sam Altman.

Good and Bad Reasons to Become an Entrepreneur by Dustin Moskovitz

Stupid Apps and Changing the World by Sam Altman

What’s The Most Difficult CEO Skill? Managing Your Own Psychology by Ben Horowitz

 

Next Post:
Previous Post: