Como Criar uma Startup, Aula 3

Como Criar uma Startup, Aula 3

Continuando os nossos posts semanais sobre a série Como Criar uma Startup, revisamos aqui a terceira aula do curso How to Start a Startup: Esqueça o bom senso.

Aula ministrada por Paul Graham, Fundador da Y Combinator.

 

Esqueça o Bom Senso

Segundo Paul Graham, Fundador da Y Combinator, criar uma startup de sucesso é contra intuitivo: você não pode confiar nos seus instintos. Ele escreveu um artigo após esta aula que pode ser acessado aqui (em inglês).

É como no Ski, onde a nossa tendência é ir para trás para parar; mas faça isso e você descerá a montanha sem controle. Então, a primeira coisa que precisa aprender é a suprimir os seus instintos.

Assim como no Ski, também há uma lista de coisas contra intuitivas para lembrar quando vamos começar uma Startup para que ela não desça a montanha sem controle.

 

1. Cuidado com os seus instintos

Como dito anteriormente, startups são tão diferentes que, se você seguir os seus instintos, poderá se dar mal. Só isso já vale o post: lembre-se disso e você vai pensar duas vezes antes de tomar uma decisão errada.

Essa condição de pouco óbvio gerou uma brincadeira entre os mentores na Y Combinator: “Nossa função era dizer coisas para os fundadores que eles iriam ignorar” – Paul Graham

Se iniciar uma startup fosse algo intuitivo, os empreendedores não precisariam dos mentores para dar orientações. “Por isso há tantos instrutores de Ski e poucos instrutores de corrida.”, diz Paul.

Mas seus instintos continuam valendo para pessoas! Não os ignore. Você passou a maior parte da sua vida interagindo com pessoas, este é um skill que você já desenvolveu. E pessoas são pessoas, independente do tipo de empresa ou segmento em que atuam.

“Trabalhe com pessoas que você gosta e respeita, e que você conheça há tempo suficiente para ter certeza”

Paul Graham

Quando os interesses de vocês forem diferentes é que você saberá ao certo quem é quem.

 

2. O que você precisa para ter sucesso com startups não é conhecimento sobre startups

O que você precisa é entender os seus usuários!

Pouco importa saber como incorporar uma empresa ou como conseguir um investidor. Este tipo de conhecimento é muito válido, mas de nada serve se você não tiver uma empresa de sucesso para ser incorporada ou investida.

Um dos erros comuns de fundadores principiantes é tentar imitar o caminho padrão de Startups: ter uma ideia, conseguir um investidor, contratar amigos da faculdade e montar um escritório no estilo Google – até descobrir que se deram mal. Na tentativa de seguir o caminho feliz de uma startup eles negligenciaram a única coisa que realmente importa para ter uma startup de sucesso: faça algo que as pessoas queiram.

Na Y Combinator eles chegaram a criar um nome para isso: brincar de casinha.

“Aparentemente uma das métricas para medir o sucesso de uma startup é o quanto conseguiu levantar de investimento – outro erro de principiante.”

Paul Graham

Entenda os seus usuários e construa algo que eles queiram. Ou, como dizem os norte americanos: first things first (primeiro o que vem primeiro).

 

3. Esqueça os esquemas para se dar bem

Ao começar uma startup esqueça das pegadinhas e segredos de sucesso: não há professor ou chefe para você enganar, só os seus usuários. E os usuários só querem saber de uma coisa: o seu produto faz o que eles querem?

 

4. Startups são vorazes

A startup será o centro da sua vida – e, se ela der certo, isso durará muito tempo. Anos, décadas ou, quem sabe, toda a sua vida profissional.

Os fundadores das startups de sucesso da Y Combinator concordam: não fica mais fácil com o tempo. A natureza dos problemas muda, mas o volume de problemas nunca diminui – é provável que só aumente.

Começar uma Startup é como ter filhos: uma vez que você entra nisso, não há para onde correr; e há muitas coisas que são mais fáceis de fazer antes de ter um filho ou começar uma startup, então não tenha pressa.

Sobre Mark Zuckenberg, CEO do Facebook:

“Ele gerencia o Facebook tanto quanto o Facebook gerencia a vida dele”

Paul Graham

 

5. Será que vai dar certo? Será que eu consigo?

A resposta é difícil: o que você viveu até agora não o preparou para o que vem pela frente com uma Startup. Então você só pode considerar se terá determinação e força de vontade.

“Se você tem medo de começar uma Startup, provavelmente não deva fazê-lo. Do contrário, o único jeito de descobrir é tentando.”

Paul Graham

 

6. O jeito de ter ideias de startups é não tentar ter ideias de startup

Paul Graham escreveu um artigo sobre o assunto (em inglês). Em resumo:

Se você ficar pensando em ideias para startups, provavelmente encontrará ideias ruins e, pior, plausíveis. Isso significa que você e seus sócios gastarão seu tempo tentando desenvolvê-las até descobrir que elas são ideias ruins.

O melhor jeito para ter ideias para startups é transformar o seu cérebro em uma máquina de ideias de startup, para que você tenha ideias inconscientemente.

E como fazer isso?

  1. Aprenda sobre muitas coisas que importam;
  2. Trabalhe em problemas que interessam você;
  3. Com pessoas que você goste e respeite.

Paul cita o exemplo do Brian Chesky e do Joe Gebbia, do Airbnb. Eles não são especialistas em tecnologia. Estudaram artes e são muito bons em organizar pessoas e fazer acontecer.

Uma forma de preparar o seu cérebro para ter ideias de startup é trabalhar no limiar de novas tecnologias. Como Paul Buchheit diz, “Viver no futuro”: quando vocês estiver lá, coisas inimagináveis para outras pessoas serão óbvias para você. E você pode não considera-las ideias para startups, mas saberá que elas são algo que deveria existir.

Pegue o caso do VOIP – Voz sobre IP (Skype, GoogleHangouts, etc.): em meados de 90 um colega de Paul em Harvard escreveu um software para transmitir voz pela internet. Ele não queria criar uma startup, só queria conversar com a namorada em Taiwan sem pagar por ligações interurbanas. Como ele era um expert em redes, parecia óbvio transformar o som em pacotes que pudessem ser enviados pela internet.

Paul encerra comentando que, se você está na faculdade e quer ser um fundador de uma startup de sucesso, não busque por uma versão de graduação focada em empreendedorismo: simplesmente aprenda coisas poderosas e que você se sinta atraído intelectualmente em fazer.

Em resumo: simplesmente aprenda.

 

Perguntas feitas a Paul Graham

Como um fundador não técnico pode contribuir de forma mais eficaz com a startup?

Se a startup atua em um segmento específico e o fundador não técnico conhece bem esta área, ele fará a maior parte do trabalho

Se a startup for puramente de tecnologia, ele fará o comercial e trará café e pizza para o fundador técnico.

 

Você vê valor em universidades e faculdades de Negócios para quem quer criar uma startup?

Não. Escolas de Negócios nasceram para ensinar gestão para as pessoas. Gestão é um problema que você só terá em uma startup se você for suficientemente bem sucedido. Então, o que você precisa saber para criar uma startup de sucesso é como criar produtos.

O melhor jeito para aprender a criar uma startup é criando uma.

 

Gestão será um problema somente se você tiver sucesso. E como lidar com os primeiros colaboradores?

Preferencialmente você tem sucesso antes mesmo de contratar duas ou três pessoas.

Os primeiros colaboradores de uma startup são praticamente como fundadores. Eles devem ser motivados pelas mesmas coisas, não devem ser pessoas que precisam ser gerenciadas.

 

Você vê um crescimento de laboratórios que geram startups?

Existem algumas pessoas começando estes laboratórios que devem gerar startups como subsidiárias/projetos paralelos. Foi assim que o Twitter começou.

Será que vai funcionar? Possivelmente sim, se as pessoas certas o fizerem.

 

Que conselho você daria para mulheres que fundaram startups e estão buscando capital?

É verdade que mulheres buscando investimento tem mais dificuldade do que startups fundadas por homens. Aqui vale ainda mais o que já vimos até agora: faça algo que as pessoas queiram.

Faça a sua startup crescer, ter bons números e um resultado que atrairá qualquer investidor.

Uma vez ele twittou um gráfico de crescimento de uma empresa sem dizer quem era, para que os VCs se interessassem pelos números, e não pelo gênero do fundador.

 

O que você estudaria na graduação agora?

Física. Mas siga a sua curiosidade, se for útil você poderá ter sucesso.

 

Como você faz para ser eficiente no trabalho e na vida pessoal?

Crie compromissos que te obrigarão a fazer as coisas. Citou o exemplo da Y Combinator, que tinha as datas de recebimento das solicitações de aceleração, prazos para entregar o resultado e muitos outros compromissos que o faziam focar e entregar o que precisava ser feito.

Outra coisa que o Paul faz é escrever artigos. Ele diz que os artigos simplesmente vem à cabeça.

E, trabalhando em coisas que você gosta é mais fácil de ter foco e consequentemente mais resultado.

 

Quando é um bom momento para transformar um projeto paralelo em uma startup?

Você saberá que é o momento, pois ela estará tomando conta de todo o seu tempo. “Nossa, passei um dia fazendo isso que deveria ser um projeto paralelo, vou me dar mal na escola/trabalho”.

 

E quando o crescimento da startup não for muito forte?

Faça coisas que não escalam, como neste artigo (em inglês).

 

Que tipo de startups não deveriam buscar aceleração?

Qualquer tipo de startup pode ser acelerada.

 

Você sugeriu aprender muito sobre coisas que importam. Como descobrir o que importa?

Pensando em tecnologia como um fractal, tudo o que está nas bordas do fractal importa. Uma forma que ele desenvolveu de descobrir se você tem bom gosto para coisas interessantes é se você acha intolerável trabalhar em coisas chatas, como teoria literária e nível médio de gestão.

 

Se você só contratar pessoas que você gosta, poderá acabar com uma monocultura. Como lidar com isso?

Ao começar uma startup muitas coisas darão errado. As vantagens de contratar pessoas que você conhece e gosta são muito maiores do que a pequena desvantagem de ter uma monocultura. Se você analisar empiricamente, em todas as startups de sucesso alguém simplesmente contrata todos os seus amigos da graduação.

 

Materiais Adicionais

Focus on Sales not on Marketing by Jessica Livingston

 

Atualização:

Continue lendo a quarta aula aqui.

 

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