Coworking ou escritório próprio, o que é melhor para sua startup?

Coworking ou escritório próprio, o que é melhor para sua startup?

A moda começou nos Estados Unidos, em 2005. Quase cinco anos depois, chegou ao Brasil, onde já conta com mais de cem espaços abertos. Os escritórios compartilhados, conhecidos como coworkings, são ambientes propícios à produção criativa e colaborativa.

Diariamente, autônomos, freelancers e startups frequentam esses lugares motivados por razões e objetivos próprios. Eu mesmo comecei a frequentar coworkings quando ainda era freelancer, em uma época em que rotina de trabalho era algo que não existia no meu vocabulário, muito menos no meu dia a dia. Como a minha casa era o meu escritório, qualquer coisa era motivo de distração: fome, sede, cansaço, vontade de jogar vídeo game.

Então, decidi procurar um lugar para trabalhar fora de casa e acabei descobrindo o coworking. Durante um tempo funcionou bem: criei uma certa rotina, conheci pessoas bacanas, ajudei algumas delas e fui ajudado várias vezes também. E quando eu percebia que estava com dificuldade de concentração ou com vontade de trabalhar de outro lugar, mudava de ares e ia para um café, por exemplo.

Mas quando se trata de levar uma startup para um coworking, o processo é diferente. Primeiro porque mais pessoas estão envolvidas. Segundo porque existe uma série de questões a serem colocadas na balança.

O que é prioridade para a sua empresa? A qualidade da internet? A localização? Ter sala de reunião? Dividir espaço com pessoas de áreas complementares? Conhecer profissionais de outros setores? Tudo isso deve ser ponderado na hora de escolher o coworking ideal para a sua startup.

No caso da Aerochimps, toda a equipe sempre trabalhou remoto. Dava certo dessa forma porque éramos poucos. Não víamos necessidade em estar no mesmo lugar todos os dias, até porque nos falávamos pela internet o tempo inteiro.

Mas com o tempo começaram a surgir mais projetos e passamos a precisar de uma comunicação mais ágil, de uma equipe maior e de projetar juntos. Alugar um escritório estava fora de cogitação: o preço não era nada convidativo e as responsabilidades iam além do que éramos capazes de assumir naquele momento.

Foi então que, em setembro de 2014, chegamos a conclusão de que ir para um coworking poderia ser uma boa saída: a proposta do lugar tinha a ver com a gente, o custo se encaixava no nosso orçamento e não havia nenhum tipo de amarras ou burocracia que nos impedisse de mudar de planos quando fosse necessário.

Passamos três meses trabalhando juntos em um coworking e foi ótimo. A empresa cresceu, contratamos mais pessoas, pegamos novos projetos, fizemos networking e ganhamos amigos. Mas, na medida em que crescíamos, o espaço compartilhado foi deixando de suprir todas as nossas necessidades. E é aí que chegamos na questão central deste artigo.

Coworking é uma boa alternativa para startups?

Os espaços de coworking favorecem a criação de redes de relacionamentos e parcerias. Por ser um ambiente misto, é possível encontrar de profissionais de TI a corretores de imóveis. A escolha por esses locais tem mais a ver com o perfil do profissional do que com a profissão em si.

No caso de startups, ir para um coworking significa fazer um investimento de risco calculado. Eu explico: ao contrário dos aluguéis de salas comerciais, os coworkings não exigem um contrato ou tempo mínimo de permanência. E foi neste ponto que os espaços compartilhados conquistaram os sócios da Aerochimps.

Pudemos montar um plano sob medida para as nossas necessidades e, quando precisamos sair, não tivemos que pagar multas e nem arcar com encargos extras. No nosso caso, trabalhar de um coworking deu certo. Mas se não tivesse funcionado, mudar de estratégia seria muito mais fácil, já que não estávamos “amarrados” àquela situação.

O espaço de coworking é bacana, mais descontraído do que a maioria dos escritórios e atrai pessoas de mentes abertas, dispostas a colaborar e ouvir palpites sobre suas ideias. Porém — falando como o advogado do diabo — pode não ser a melhor opção para você e para a sua startup, ainda que o estilo da equipe seja propício a ambientes mais “leves”.

O coworking abriga muito bem times pequenos de até quatro pessoas. Para equipes maiores, vale a pena analisar se os custos para manter um escritório não acabam saindo mais em conta. E para além do fator financeiro, gerenciar equipes maiores em um espaço que não é próprio da empresa pode ser complicado. Conversas constantes com o time podem atrapalhar os outros coworkers, por exemplo. E contratar mais pessoas passa a ser uma missão quase impossível, principalmente se o lugar já estiver na sua lotação máxima.

Agora, deixando o papel de advogado do diabo de lado, eu acredito que startups podem, sim, serem bem sucedidas dentro de coworkings, principalmente se elas buscam algum tipo de parceria ou relacionamento profissional.

Mas vale lembrar que  cada empresa tem um ritmo próprio e prioriza coisas diferentes. Não existe uma fórmula mágica, nem um único jeito de fazer as coisas. Na dúvida, testar é sempre a melhor opção. Alguns coworkings oferecem um dia de teste gratuito. Mas fique atento na escolha do espaço: além de economicamente viável, ele precisa dar conta das necessidades da sua equipe.

Imagem de capa: http://skillcrush.com: 5 Signs You Need A Coworking Space (And How To Find One)

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