Esqueça o Vale do Silício, Tel Aviv pode nos ensinar mais

Esqueça o Vale do Silício, Tel Aviv pode nos ensinar mais

O badalado Vale do Silício é uma inspiração para o mundo inteiro em termos de cenário favorável ao empreendedorismo e ao crescimento de startups. Porém, o caso de Israel, mesmo não tão comentado, pode ser um exemplo muito mais enriquecedor para o Brasil.

Hoje, Israel só perde em número de startups para os Estados Unidos. É o país que mais investe em pesquisa e desenvolvimento no mundo e é o segundo em empresas listadas na Nasdaq. É também um dos países mais favoráveis à criação de empresas de tecnologia, sendo Tel Aviv comparada ao Vale do Silício pela sua capacidade de atrair investidores. De lá, vieram o Pentium 4, o ICQ, o pendrive e o firewall, oriundos de empresas locais ou dos centros de pesquisa que as grandes empresas montaram no país. Para chegar a esse patamar, houve um grande esforço do governo – e é aí que devemos aprender.

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Resumindo, o que aconteceu lá:

No início da década de 90, Israel usou as pequenas e médias empresas de tecnologia para alavancar a economia. Para isso, acabou com nós burocráticos do sistema, promoveu a integração entre universidades e empresas e desenvolveu a capacidade das startups de atrair investimentos de venture capital. Além disso, o próprio governo injetou dinheiro diretamente nas iniciativas. O objetivo era atrair os investidores, dando a chancela que os mesmos precisavam para confiar no crescimento das empresas que nasciam. A conta era dividida com o Estado e, em cinco anos, podia-se comprar as ações públicas por um bom preço. A partir daí, o setor explodiu e se consolidou no modo como vemos hoje. É importante ressaltar também que os judeus são, historicamente, uma nação empreendedora, o que contribui bastante, claro.

E aqui?

Podemos diferenciar alguns pontos em relação ao caso brasileiro. Aqui, o desenvolvimento do setor se mostrou espaçado, fruto do interesse de alguns órgãos, que fomentaram as iniciativas para tal. O governo brasileiro nunca enxergou, de fato, o movimento empreendedor como peça-chave da economia, dando mais atenção aos grandes conglomerados do mercado. Desta forma, gerou impedimentos para o pleno crescimento, como a burocracia constante e os editais de investimento excludentes que não abrigavam a amplitude e diversidade necessária. O Brasil, no entanto, encontrou um cenário favorável que contornou a falta de empenho como o visto em Israel. A situação econômica e seus reflexos positivos no restante do mundo possibilitou a grande circulação de capital no país, dando espaço para que a iniciativa privada tomasse as rédeas do crescimento do setor. Em um movimento recente que tende a crescer cada vez mais, as startups, aceleradoras e fundos de VC começam a protagonizar um cenário onde a participação do governo é pequena.

Onde está o aprendizado?

Um dos ingredientes mais importantes para o desenvolvimento pleno das startups no Brasil e a concretização da cultura empreendedora é o apoio governamental. Justamente onde estamos devendo – e muito. Enquanto não se enxergar a importância do setor socialmente, em especial na geração de empregos, e a ideia de que as grandes empresas nacionais podem nascer de pequenos empreendimentos, será difícil tornar o país uma referência em inovação e economia criativa. Já sendo um polo de investimento pela situação econômica, é preciso, então, que o Brasil crie uma estrutura jurídica propícia e dê o apoio necessário àqueles que desejam abrir sua empresa. Acima dos valores culturais e dos modelos econômicos, é isso que define o sucesso dos países empreendedores.  

Para ler mais sobre o assunto, existe o livro “Nação Empreendedora – O Milagre Econômico de Israel e o que ele nos ensina“, de Dan Senor e Saul Singer.

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O que você acha disso? Podemos aprender com o exemplo ou ele não se aplica à nossa realidade? Opine!

 

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  • katz

    Parabéns pelo artigo.

    • Bernardo Kircove

      Obrigado! Fico feliz que tenha gostado. Fique atento para outros posts :)