Quero me demitir para empreender: e agora?

Quero me demitir para empreender: e agora?

Meus sentimentos! Você já está no caminho do seu empreendimento, fora da zona de conforto e os sintomas são irreversíveis. Mesmo que procure outra opinião o diagnóstico é crítico, e é melhor se preparar para o inevitável: você vai se demitir!

Brincadeiras à parte, dizer aos outros que vai empreender é como dar uma notícia de doença grave: as expressões de alarme, as perguntas, tudo é muito parecido: “você tem certeza que é isso mesmo? Já pediu uma segunda opinião sobre o assunto? Quais são suas chances?”. A lista de perguntas só é maior do que a lista de pessoas perdendo o sono por você.

Sua característica mais importante será a resiliência: absorver as pancadas do mundo e continuar da mesma forma, intacto. E esse post é para te prevenir de alguns erros que cometi (ou que li a respeito) e que venho evitando-os. Vamos lá?!

1. Programe suas finanças pessoais por 2 anos

Esqueça o plano de 6 meses a 1 ano. Você “não será ninguém” para os mecanismos de busca em 6 meses. Talvez nem fature ou não atinja o break even em 1 ano. Seus primeiros clientes talvez comecem a aparecer após um ano e meio. Existem inúmeros desafios a serem superados e 12 meses é muito pouco.

Se você não se programar para dois anos (no mínimo) sem renda, tudo pode ser em vão. Corte seus gastos supérfluos, economize onde puder e planeje-se para gastar POUQUÍSSIMO mensalmente. Todos os seus esforços (inclusive financeiros) serão para a empresa, não se esqueça nunca disso.

2. Tome a decisão e saia da inércia

Pela definição física o atrito estático é sempre maior que o dinâmico: em outras palavras é mais difícil colocar um corpo em movimento do que mantê-lo se movendo. Uma vez que você tomar a decisão, comunique o mais rápido possível todas as partes envolvidas. Comece com sua família, pois eles vão querer se sentir parte da decisão.

A inércia virá, ela sempre estará aí, mas uma dica para driblá-la é pedir demissão na primeira hora do dia. Você provavelmente não conseguirá trabalhar ou render nada até comunicar seu superior da decisão.

E serão várias decisões difíceis, renúncias mesmo. E elas talvez venham uma por ano, como para mim: em 2014 me demiti, em 2015 coloquei meu carro à venda, tudo pela Viddheo. Quando se confia nos sócios, no modelo de negócio e no crescimento da sua empresa o caminho fica absurdamente claro, e é simplesmente inviável pensar em outra alternativa. E isso nos leva à terceira dica…

3. Sem plano B! “Zero optionality”!

Você provavelmente se assustará com essa dica, e nesse momento já deve estar cogitando fechar o post. Fique tranquilo, eu também me assustei quando li pela primeira vez neste post. A conclusão é quase óbvia: se você não pensa na falha você não se planeja para ela!

Essa é a mentalidade em não ter um plano B! Se você cogita a possibilidade de “vou testar e se não der certo volto para a empresa X”, ou “vou levantar uns R$ 50 mil de investimento e ver no que dá” você já falhou!

Fique tranquilo, pois todos os grandes empreendedores mantiveram “zero optionality”. Você não está sozinho nessa!

4. Encontre sócios que passem nos testes acima

Um empreendimento é entrega total dos sócios envolvidos. E sozinho seus obstáculos são muito maiores, quase intransponíveis. Procure por sócios tão dispostos quanto você mesmo a dar 120% pela causa.

Duas outras dicas importantes:

  • Um dos sócios precisa entender radicalmente do assunto, ser especialista no negócio (e no mercado) a ser iniciado. Não há espaço para explorar um mercado novo sem um expert no time. O risco é simplesmente muito alto mesmo com ele. Sem o especialista, seu barco já tem um furo grande demais pra ser consertado.
  • Paul Graham, da aceleradora Y Combinator, comenta neste vídeo que escolher sócios deve ser como escolher amigos. Você vai dividir muitas horas de trabalho com essa pessoa, vai discutir os rumos do negócio, vai concordar e discordar em infinitos pontos e se não houver proximidade fica tudo mais difícil. Conduzir uma empresa é sim como conduzir sua vida: você se aproxima das pessoas que tem afinidade.

5. No mais, aproveite a jornada!

Não há motivo em correr todos esses riscos, privações, ter menos dinheiro, diversão e sono do que seus amigos se você não aproveitar a vida de empreendedor. Não entre só pelo estilo de vida, pois é a maneira mais fácil de perder dinheiro a médio prazo.

Trabalhe duro para que seu negócio prospere, mas aproveite seu dia-a-dia. Comemore novos clientes e parceiros, não há nenhum problema nisso. E se tudo der certo, serão muitos anos à frente da sua empresa, e se você é apaixonado pelo negócio que atua, nada disso será um peso.

Última dica: não se importe com a opinião dos outros sobre seus planos. Ninguém conhece tão bem seu negócio, sua “doença grave” quanto você mesmo. Empreender é um vício, e mesmo que você volte ao mercado de trabalho, será temporariamente. Até mais!

 

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  • http://mineradorx.com/ Lucas Neves Martins

    Me identifiquei com esse post, começamos com o Minerador à pouco e estamos crescendo junto com a Viddheo que ajuda o nosso time a fazer um atendimento excepcional. Parabéns pelo empenho!

    • https://viddheo.com/ Diego Cordovez

      Fala Lucas! Que ótimo, obrigado pelos elogios.
      Continuamos trabalhando forte =)
      Abraços!

  • gutovysk

    Para aqueles que ainda não formaram uma família…. FAÇA ACONTECER O MAIS RÁPIDO POSSÍVEL!!!!

    • https://viddheo.com/ Diego Cordovez

      Fala Guto!

      Gosto da maneira com que pensou, e sei que a dica de “zero optionality” é drástica. Mas para mim ela é inevitável. Vejo tios e outros amigos já com família estabelecida que não conseguem empreender (ou não direcionam mais energia para isso). Mas os que tentam aposta tudo (ou quase tudo)! Quanto mais converso com outros empreendedores, investidores, vejo que a persistência e a capacidade de assumir riscos são essenciais. E realmente, quando se tem família os riscos são muito impeditivos.

      Enfim, papo pra horas de conversa hehe.

      Abraços!

      • gutovysk

        Fala Diego,
        Isso é papo para meses!!!!Se não, anos…. rsrsrs
        Que eu o diga, pois sempre tive mente de empreendedor, mas há 20 anos continuo sendo funcionário de empresa pública, concursado. O que era para ficar no máximo 2 anos, já estou a 20 anos!
        E como mudar???? Não é fácil, pois estou no grupo que há mais elementos em risco, e a pressão é maior ainda.

        • https://viddheo.com/ Diego Cordovez

          hahaha entendo perfeitamente!

          Realmente o que me falaram desde que saí da faculdade era que quanto mais demorasse maiores seriam as chances de não fazer. A junção de pouco a perder + amigos empreendedores + momento oportuno me fizeram arriscar, mais de uma vez. Certo ou errado, já se acumulam dois pedidos de demissão antes dos 30 anos haha. Uma hora vai!

          Abs!

        • Milton Campanhã

          Guto, você tem algo que muitos jovens empreendedores buscam… um sócio de capital (ainda que pouco capital). Vejo muitos jovens com muita vontade, muita motivação … mas pouco foco e pouco dinheiro! Querem tudo ao mesmo tempo. Procure por estes jovens (com tempo e pouco risco) e acredite no sonhos destas outras pessoas. Ainda que não seja seu sonho, seu projeto… já será um passo adiante! Abs,

          • gutovysk

            Oi Milton, não entendi qdo diz que eu tenho um sócio de capital. Atualmente, com família e tudo mais, já não tenho mais capital disponível para empreender… É verdade que já tive, e empreguei na construção de casas para vender. Deu certo na época. Agora, não mais… apenas dívidas!!! rsrsrs Sou daqueles que tenho diversas ideias, e muitas vezes difícil de escolher em qual atuar. ;-p Além de intraempreendedor no meu trabalho (ex.: ajudei na criação de um museu de informática, implantei atualmente o teletrabalho na empresa – como líder de projeto), escrevi um livro para ensinar jovens (a partir dos 10/12 anos) a aprenderem a programar fazendo jogos (http://facebook.com/apfjogos), sou compositor clássico/erudito (http://tecnicasdecomposicao.blogspot.com.br), e tentando realizar outros projetos tecnológicos. O que hoje não tenho é capital e tempo. Às vezes, foco! rsrsrs

        • Milton Campanhã

          Olá Guto. O que eu quis dizer é que você seria o sócio de capital e que poderia/deveria procurar por sócios nos quais possa investir, sem precisar se desligar de seu atual emprego. Mas como você mesmo disse, já fez tudo isto e muito mais! rs… Estou na mesma situação que você, casado, com filhos, sem tempo e sem capital. Abs,

  • Felipe Maia

    Excelente post Diego, dicas bem legais. Abs

    • https://viddheo.com/ Diego Cordovez

      Obrigado Felipe! Primeiro de vários =)
      Abraços!