“Startup Fail”: Um bate papo sobre os fracassos de Startups

“Startup Fail”: Um bate papo sobre os fracassos de Startups

Ontem aconteceu na Campus Party Brasil 2014 um encontro super interessante entre Maurilio Alberone, Amure Pinho e Horácio Poblete. Convidados a participarem de um bate papo sobre fracassos no empreendedorismo e como superá-los, os empreendedores garantiram ao público uma nova reflexão sobre as falhas e fracassos de startups, e também, é claro, muitas risadas.

Primeiro, vamos conhecer um pouquinho sobre os convidados:

Amure Pinho: Empreendedor digital desde 2010, e já teve vários negócios como restaurante, agência de publicidade. Hoje, trabalha no Space Coworking, é CEO da startup blogo e investidor anjo.

Maurilio Alberone: Se considera empreendedor desde criancinha, mas começou a empreender formalmente em 2007 com a empresa Peta 5. É co-fundador da Bizstart e do Edools.

Horácio Poblete: Empreendedor desde 2008, já teve 3 startups (como a Ledface) e aprendeu bastante durante essa caminhada. Atualmente , está na startup TrustVox.

Foto: Space Coworking

Foto: Space Coworking

Se você quer assistir o vídeo do bate papo, é só acessar o link abaixo:

Bate papo ‘Startup Fail’ na Campus Party 2014

É comum saber pela mídia sobre os casos de sucesso no empreendedorismo. Mas o que pouco se retrata no Brasil são as falhas desses empreendedores antes de subir ao pódio. Por isso, o bate papo realizado na Campus Party 2014 é tão relevante para os empreendedores. Nesse post, iremos destacar os pontos principais desse ótimo e divertido encontro a fim de que você, empreendedor, tenha uma nova visão sobre o fracasso.

Cultura do ‘Fail Fast’ nos Eua: Os participantes destacaram a cultura do falhar rápido , testar rápido e errar rápido, que é muito difundida nos Estados Unidos. Nesse país, os empreendedores são estimulados a se arriscarem nos negócios tendo como base metas bem definidas. A maioria não tem medo de falhar, e quando isso acontece, são bem vistos por terem tentado, trabalhado duro e aprendido com os erros. Ao contrário do Brasil, que possui uma cultura bastante diferente nesse ponto. Aqui, a falha é motivo de vergonha, de fracasso e até por isso o empreendedor costuma ter medo de se arriscar e quando erra, demora para admitir isso para si mesmo e para o público. Como Maurilio disse, os empreendedores brasileiros são agarrados na ideia, no negócio dos sonhos e por isso, muitas vezes, deixam de lado o real problema do cliente.

O mais importante de todo esse processo de falha é aprender verdadeiramente as lições sobre o fracasso e seguir em frente com uma evolução mental que será muito utilizada nas próximas tentativas de negócios.

“Falhar faz parte do sucesso”. Horácio Poblete

O próprio processo de Lean Startup é um processo de ciclo de falhas e acertos. E quanto mais você falha mais perto você está de descobrir qual o caminho certo para o seu negócio.” Amure Pinho

“Quanto mais tempo você fica num negócio onde você não acerta e nem erra, ou seja, está à deriva, menos tempo você tem para se dar chance de acertar num negócio”. Amure Pinho



 A cegueira do empreendedor que fracassa: Os empreendedores falaram sobre os fracassos de suas Startups. Os três destacaram que os seus negócios eram inovadores, receberam muitas críticas positivas e inclusive comentários ótimos de investidores relevantes do mercado. Ah, e é claro, apareceram em jornais, ganharam muitos prêmios, etc. E tudo isso foi o fator da cegueira. Porque através disso, seus egos ficaram inflados e a partir de então, só enxergavam aquilo que queriam enxergar, no caso a ascensão da Startup, e opiniões divergentes não eram levadas em conta. Dessa maneira, a obsessão pela ideia é tamanha que o empreendedor não consegue ver as falhas do modelo de negócios.

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“ Eu estava 100% certo e cego ao que as pessoas estavam falando .” Amure Pinho

Isso é muito comum no mundo do empreendedorismo. Os empreendedores ficam cegos por métricas de vaidade, por opiniões de investidores e pessoas relevantes do mercado e muitas vezes, acabam não validando a ideia do negócio com a parte que é a mais importante de todo negócio: O CLIENTE!

” Opinião de quem não é cliente, é só opinião, não é validação de nada.” Maurilio Alberone 

Falhei, e agora? Os participantes falaram do quanto é difícil assumir o fracasso para si mesmo e para o público. Isso porque, como já citado, a cultura no Brasil sobre a falha de um empreendedor é perversa. Assim, muitas vezes, os empreendedores ficam criando argumentos para mostrar para o público o quanto a Startup está indo bem, quando na verdade não está. E para isso eles utilizam as métricas de vaidade como número de downloads, likes no facebook, etc.

“É libertador assumir que falhou”– Horácio Poblete

É muito importante se você tem uma startup há mais de um ano e meio, dois anos, e nada acontece, repensar o seu modelo de negócios, realmente validá-lo com o mercado e talvez pensar na possibilidade de fechar o negócio. Ou quem sabe, pivotar?

Quando você deve pivotar: Pivotar é mudar a estratégia, mudar de direção mas manter o aprendizado do negócio que você teve até o momento. É identificar uma oportunidade de ajuste no modelo. Para saber a hora de pivotar é preciso ver as sinalizações de mercado , estudar o mercado no qual sua startup está inserida e talvez enxergar uma oportunidade, mas é claro, isso aliado a sua própria vontade de fazer acontecer.

“ Se ainda acredita na ideia, tem tesão, pivota.” Horácio Poblete

E o depois: É levantar a poeira, sair dessa depressão, e partir para outros projetos de Startups. Mas você só terá aprendido a lição com as suas falhas se você compartilhar da mesma opinião do Maurilio Alberone:

“ Hoje me reconheço como empreendedor e não dono de uma ideia fantástica” Maurilio Alberone

E então, o que acharam desse bate papo na Campus Party 2014?

 

 

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