Um MVP não é uma versão mais barata do produto

Um MVP não é uma versão mais barata do produto

O que importa é o aprendizado inteligente

Um produto minimamente viável (MVP) não é sempre uma versão menor ou mais barata do seu produto final. Definir o objetivo do seu MVP pode fazer que você economize muito tempo, dinheiro e sofrimento.

Drones sobre Heartland

Conheci uma pequena startup em Stanford que quer voar veículos não tripulados (drones) com uma câmera hiperespectral sobre fazendas para coletar imagens de alta resolução, com uma tecnologia capaz de indicar plantas, umidade, fertilizantes e até insetos. Com isso os fazendeiros podem verificar a saúde das suas plantações, se tem água e fertilizantes suficientes, por exemplo.

Saber isso significa que os fazendeiros podem fazer melhores previsões sobre como será a produção, como devem tratar áreas específicas contra pestes e colocar água somente onde é necessário.

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Drones são melhores que satélites pois tem uma resolução maior e podem fazer múltiplos voos sobre as plantações e são melhores que aviões pois são mais baratos.

Toda esta informação ajudará os fazendeiros aumentar as colheitas (faturamento maior) e reduzir os cursos usando menos água e fertilizantes, aplicando estes somente onde é necessário.

O plano deles é ser um serviço provedor de informações em um mercado emergente chamado “agricultura de precisão”. Semanalmente eles irão nas fazendas, voarão os drones, coletarão e processarão as informações e as entregarão aos fazendeiros em um formato simples de ser compreendido.

Descoberta de clientes em fazendas

Não sei o que há em Stanford que atrai atenção para este segmento, mas esta foi a quarta ou quinta startup que eu vi em agricultura de precisão que usa drones, robótica, sensores de alta tecnologia, etc. Este time conseguiu a minha atenção quando eles disseram: “Deixe-nos contar sobre as nossas conversas com os nossos potenciais clientes”.

Eu ouvi e, enquanto eles descreveram as entrevistas de clientes, parecia que eles haviam encontrado que, sim, os fazendeiros entendem que não ser capaz de ver em detalhes o que acontece nas suas plantações é um problema e que, sim, ter estas informações seria ótimo – na teoria.

Então o time decidiu que isto parecia um negócio que eles gostariam de criar. E agora eles estavam à procura de investimento para construir um protótipo de um produto minimamente viável (MVP). Tudo ótimo: time esperto, experts reais em imagem hiperespectral, design de drones, bom começo com a descoberta de cliente, começando a pensar sobre encaixe de produto e mercado, etc.

Lean não é um processo de engenharia

Eles me mostraram os seus objetivos e orçamento para o próximo passo. O que eles queria era um cliente inicial feliz, que reconhecesse o valor dos dados oferecidos por eles e que estivesse disposto a ser um evangelista. Grande objetivo.

Eles concluíram que a única forma de conseguir um cliente inicial maravilhado seria construir um produto minimamente viável, um MVP. Eles acreditavam que o MVP deveria:

  1. Demonstrar um voo de drone;
  2. Demonstrar que o software deles poderia juntar todas as imagens da plantação;
  3. Apresentar a informação para o fazendeiro de uma forma que ele pudesse fazer uso dela.

E eles concluíram, logicamente, que para isso eles precisariam comprar um drone, comprar uma câmera hiperespectral, comprar o software de processamento de imagem, gastar meses trabalhando na integração da câmera, plataforma e software, etc. Eles me mostraram a planilha de orçamento para fazer tudo isso. Era lógico…

… e errado.

Mantenha os seus olhos no prêmio

O time confundiu o objetivo do MVP, que era descobrir se conseguiriam um fazendeiro maravilhado que iria pagar pela informação, com o processo de atingir este objetivo. Eles tinham o objetivo correto, mas o MVP errado para testá-lo. Explico…

A hipótese do time era que conseguiriam entregar informações para a tomada de decisão que os fazendeiros pagariam para ter. Como a startup se definiu como uma empresa provedora de informações, no final das contas o fazendeiro não se importava se estas informações viriam de satélites, aviões, drones ou mágica, desde que eles tivessem informação que pudesse ser utilizada.

Isto significava que todo o trabalho de construir um drone, uma câmera, o software e o tempo integrando tudo isso era desperdício de tempo e esforço. Eles não precisavam testar nada disso ainda (há muitas opções de usar drones de baixo custo para carregar câmeras). Eles definiram o MVP errado para testar primeiro.

Eles devem investir o seu tempo validando que os fazendeiros se importam com as informações.

Então eu perguntei: “Não seria mais barato alugar uma câmera e avião ou helicóptero e voar sobre a plantação, processar as informações manualmente e ver se esta é a informação que os fazendeiros pagariam para ter? Não seria possível fazer isso em um dia ou dois, por um décimo do investimento que vocês estão buscando?” Ahnn…

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Eles pensaram sobre isso por um momento e depois riram, dizendo: “Nós somos engenheiros e queríamos testar as últimas tecnologias, mas você quer que nós comecemos testando se realmente temos um produto que os clientes querem e se isso pode ser um negócio. Nós podemos fazer isso”.

Time esperto. Eles saíram pensando como redefinir o seu MVP.

Lições aprendidas

  • Um produto minimamente viável não é sempre uma versão menor ou mais barata do seu produto
  • Pense sobre formas alternativas de testar o objetivo
  • Grandes fundadores mantem o seu foco no prêmio

Versão em inglês.

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  • cezinha_anjos

    Genial!

    • http://bizstart.com.br/ Rafael Leite

      Oi Cezar! Que bom que você gostou!
      Se achar que pode ser útil aos seus amigos, compartilha! :)
      Um abraço!